Alvalade aguardava com alguma ansiedade a última jornada da época, com duas equipas a necessitarem de vencer para atingir os seus objectivos: o Gil Vicente, grande surpresa da época, para quem a vitória era indispensável na sua disputa com o Famalicão pelo quinto lugar da classificação e o acesso à Conference League. E o Sporting que nunca poderia fazer pior que o Benfica que à mesma hora defrontava um Estoril tranquilo sem outras ambições no campeonato, visando ser vice-campeão e a poder participar de novo na Champions League e a concorrer aos milhões que dela podem decorrer. Como o Benfica já marcara três golos ao Estoril no primeiro quarto de hora, não se afigurava fácil a exigência da vitória leonina perante um Gil Vicente muito bem organizado e bastante mais defensivo do que lhe é habitual perante a incapacidade de manter e progredir com face à pressão sportinguista, vendo-se obrigado a recorrer sistematicamente às bolas longas para os seus avançados.
Acabou por ser mais fácil do que se julgaria: o Sporting entrou muito forte, assumindo o controlo e a superioridade total do jogo na primeira parte, indo para o intervalo com dois golos de diferença que poderiam ser, pelo menos, o dobro. A segunda parte foi mais dividida e o Gil poderia ter marcado: falhou uma grande oportunidade e obrigou Rui Silva a duas grandes defesas difíceis, mas o Sporting controlou sempre as operações. Hjulmand, Morita e Kenda tiveram uma bela despedida de Alvalade.. Falhou o grande objectivo da conquista do tricampeonato, mas Suaréz venceu destacado o troféu do maior goleador, a equipa teve o melhor ataque da prova (89 golos), a segunda melhor defesa (24 golos, FC Porto a melhor, com 16), a melhor diferença entre golos marcados e sofridos (65, contra 48 do FC Porto e 49 do Benfica).
VN, texto; Fotografia Arlindo Homem


