Crónica de um campeão de recordes – mais algumas notas

Campeão apurado ao fim de 34 jornadas: é o Sport Lisboa e Benfica. É o tri-campeonato, oque não acontecia desde 1977, o 35.º título nacional das águias.
O FC Porto cedo abandonou a luta, o Braga cedo se fixou no quarto lugar, os dois irão decidir daqui a uma semana na final da Taça de Portugal quem no fundo se pode considerar a terceira melhor equipa da época.
O heróico Rio Ave de Pedro Martins, que numa época desgastante com uma fase de grupos da Liga Europa – com duas pré-eliminatórias difíceis de permeio – e uma competitividade que os levou, por exemplo, a uma meia-final da Taça de Portugal, conseguiu com alguma sorte e todo o mérito cumprir a entrada nos últimos 45 minutos de uma época ao limite do esforço, antes tinha sido o Arouca, surpresa ou nem tanto, isto se olharmos para a solidez, realismo, pragmatismo e inteligência no trabalho de um técnico que nunca aparece no topo dos treinadores da praça mas que tem um trabalho escarrapachado a atestar, não engana ninguém: Lito Vidigal. Decepção com a descida Académica de Coimbra a castigar uma época de más escolhas atrás de más escolhas. O que ia acontecendo com o Vitória de Setúbal e acabou por acontecer com um União da Madeira, que seguro de um percurso e a não ter de fazer cálculos por aí além acabou a morrer na praia. Sobretudo pelo “milagre”, que já ultrapassa fronteiras. O sofrível Marítimo é que ainda pode sonhar com uma Taça a Liga, sonho impossível, até mesmo contra as leias da física, se for o mesmo que defrontou em casa o campeão nacional, com os adeptos nos lugares do adversário, a jogar contra dez, e a perder sem apelo, agravo e/ou a mínima margem de contestação. 
Mas voltemos ao campeão nacional, bateu o recorde absoluto de pontos obtidos no campeonato português  – superou os 86 do FC Porto de Mourinho, em 2002-03, agora igualados pelo Sporting, que ficou em segundo). O que mais que surpreendente acaba também por se revelar de um absoluto inesperado, Rui Vitória chegou a ser muito contestado após as derrotas frente ao Sporting, chegou a estar a sete pontos do primeiro, e em sexto lugar. O que faria reverter a equação e/ou o jogo de probabilidades? Jorge Jesus, sim, ele mais os mind games de quoficiente emocional nulo, dizendo que a Rui Vitória não considerava treinador, que comandava um Ferrari para o desgovernado, que era preciso sair da toca tudo o que consegui foi fazer cerrar as fileiras da equipa que a partiu para a série de recordes que só glorificam o feito: melhor ataque 88 golos), n.º de vitórias consecutivas: 29 em 34 jornadas, 20 nas últimas 21 rondas), mais presença nos quartos-de-final da Champions. 
Jonas foi o melhor marcador (com 32 golos), destaque em grande para as revelações de Renato Sanches,pela influência na equipa, Ederson, pelo que defendeu, ou Mitroglou.
O Sporting também esteve em grande, com a melhor defesa, cinco vitórias em seis contra os rivais, uma liderança em grande parte do campeonato e o futebol mais atractivo. Porém só se pode queixar, já não falando do desperdício, que faz parte, dos empates e pontos que não se podem perder, como aquele por exemplo contra o Tondela, que permitiu a aproximação fatal do Benfica. Já para não falar dos desaires proibidos em Guimarães, e na Madeira com o União. Isto apesar de ter vencido na Luz e no Dragão, o campeonato é uma prova de pontos. E os pontos contam(-se) no fim. 

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