Um Vitória de Guimarães confiante que não perdia há quatro jogos entrou confiante em Alvalade perante um Sporting fragilizado, cansado, tenso e inseguro após cinco jogos sem ganhar, quatro deles para o campeonato, em que desperdiçou nove pontos que agora tanta falta lhe fariam. Talvez por isso assistiu-se a um Vitória que encarou o jogo olhos nos olhos com o oponente, audacioso, rápido, com a sua defesa alta e um meio campo controlador e atrevido no ataque, visando claramente a vitória – na primeira parte chegou a rematar mais que o Sporting e a ter mais tempo de bola. Mas a verdade é que saiu para o intervalo a perder por três golos de diferença e podia ter ido para o desconto com o dobro dos golos sofridos, não fossem as oportunidades flagrantes perdidas pelos avançados leoninos.
A estratégia vitoriana poderia ter resultado se tivessem marcado primeiro, ou se o tempo avançasse sem que o adversário, progressivamente enervado, não conseguisse visar a sua baliza com êxito. Demasiados “ses” para um leão que mesmo fatigado e com vários titulares no estaleiro não perdeu a qualidade nem a magia dos seus tecnicistas que logo aos dez minutos marcaram e aumentaram a vantagem logo no segundo remate à baliza vitoriana. O Guimarães pagou caro a veleidade de pretender jogar de igual para igual em casa de um Sporting ferido mas orgulhoso dos seus pergaminhos, marcando quatro golos nas costas da (subida) defesa do Vitória, que afinal no decorrer do jogo acabou por se revelar ineficaz, tendo apenas marcado um golo para o qual nem para isso contribuiu: Debast, desatento ou desconcentrado fez um passe para a baliza onde o seu guarda-redes Rui Silva não estava e ofreceu, num inesperado auto-golo, o chamado “golo-de-honra” ao Vitória. Felizmente para os leões essa imprudência ao cair do pano em nada afetou uma vitória justa e tranquila da melhor equipa em campo.
VN, texto; Fotografia Arlindo Homem


