Sporting está na Final da Taça de Portugal

O Sporting entrou discreto, atacando sim mas sem ocasiões de registo, o que não aconteceu com o Nacional, com a sua melhor unidade esta noite – Marco Matias- a atirar aos 15 minutos a bola à trave. Ouviam-se assobios em Alvalade, não muitos mas os suficientes para fazer acordar velhos fantasmas. Verdade é que aos 20 minutos as duas equipas se equivaliam em oportunidades, com os madeirenses a criarem mais perigo. Aos 23, jogada de Nani, o Sporting tentava tomar conta do jogo, com Slimani por volta da meia hora, a cabecear perto do golo. Aos 33 mais uma ocasião com uma cabeçada de Slimani que choca com Marçal ficando os dois prostrados no relvado. Aos 40 minutos grande ocasião para João Mário que se antecipa ao adversário e ao adiantamento do guarda-redes e quase-quase faz o golo, é de longe a melhor ocasião leonina até ao momento, mais que uma ocasião, uma oportunidade de golo cantado. Logo a seguir Luís Aurélio sai lesionado para a entrada de Camacho. E logo aos 45 dá-se, enfim, mais uma das sempre repetidas e pelos vistos incansáveis desnecessárias veleidades do meio-campo leonino – com os resultados que se viram em Paços de Ferreira – o que acontece amiúde no excesso de confiança a tentar mostrar certos atributos de técnica mesclados à veleidade de não fazer primeiro o que se tem de fazer… O que se resultam servem para mostrar dotes de craque, mas se falha, como desta vez William Carvalho ao perder mais uma bola arriscada a meio-campo em vez de jogá-la simples, pois, correu mal até valer São Patrício. Teria sido um “belo” final de primeira parte para o Sporting. Ironias à parte, Jefferson ainda mandou uma bomba, que a acertar daria um daqueles seus grandes golos.

Para a segunda parte o Sporting partiu mandão e dono do jogo. Um jogo aberto até ao  Nacional quase a marcar noutra grande soberana ocasião de perigo, com Francisco Soares quase a marcar e o Sporting a responder logo a seguir, por Nani. Não muita gente, mas exactamente 16 315 pessoas em Alvalade eram suficientes para fazerem sentir alguma impaciência perante um Nacional que se atrevia e que aos 59 obrigou a Rui Patrício a mais uma defesa apertada. Valeu que a partir daí só quase deu Sporting e jogo de sentido único na direcção da superior sul.  Falha dupla de Slimani e William com uma pequena área bem povoada pela defesa adversária, mas enfim, quase à boca da baliza. Entra Mané por João Mário, e o Sporting a apostar mais no ataque em vez de tentar segurar o meio-campo. Resultou que de facto, o Spoting começou a atacar mais e a estar mais em zonas de finalização e aos 66, um livre directo muito perigoso teve Nani a atirar a bola contra a barreira. A seguir é Slimani, muito perdulário esta noite, a fahar o cabeceamento. Os leões constroem oportunidades atrás de oportunidades. Até acontecer o incompreensível, sai Carrillo, o melhor em campo, e entra André Martins Martins, substituição naturalmente muito assobiada, daquelas apenas a fazer sentido na cabeça do treinador. Aos 81 mais uma ocasião soberana. Até que, aos 83, Ewerton cabeceia para golo, num autêntico golo a la Slimani. Aos 90 Nani quase marca em remate fortíssimo.

Em resumo: vitória justa do Sporting. Passagem de eliminatória mais que justa.E se dizemos mais que justa é porque, mais uma vez – situação que se repete esta época com os custos a isso inerente em todas as competições – basta pensar os jogos com o Schalke, Wolsburgo e Benfica em Alvalade, (mas) entre outros – e que dá muito que pensar.Por exemplo se Slimani, o melhor avançado da equipa, fosse além de bom, um grande avançado. Isto porque o argelino é um bom ponta de lança, disso não hajam dúvidas. Mas pensemos num grande ponta de lança. Num ponta de lança como Jackson Martinez, ou Jonas, ou mesmo Lima, ou mesmo… Liedson, nem é preciso ir mais longe. Com este volume ofensivo quantos mais golos não marcaria o Sporting com um avançado como Liedson ou com um craque a ponta de lança.

Vá-lá que desta vez chegou. Até porque mais que justa é também a presença do Sporting Clube de Portugal na Final da Taça de Portugal no Jamor. Três anos depois os leões podem enfim voltar a festejar. E com um adversário que já defrontaram e foram felizes  no mesmo Estádio, porém um adversário que se adivinha muito forte. O Sporting de Braga, (quase) com toda a certeza.