Sporting vence Taça de Portugal com reviravolta épica

 Sporting 2-2 (3-1 nas g.p.) Sp. Braga (Slimani – 84 e Montero  – 90+3 /Éder – 15 g.p. e Rafa – 25)

O Sporting venceu o Braga e conquistou a sua 16.ª vez Taça de Portugal quebrando assim um jejum que durava desde 2008 e igualando o FC Porto nas conquistas na segunda mais importante prova do país. Foi uma vitória épica, histórica pelas vicissitudes do jogo e toda a fé, crença e luta necessárias para reverter um jogo que a (quase) todos parecia condenado. A provar que é necessário acreditar e lutar sempre até ao fim. E sobretudo, nunca desistir. Quanto mais não seja porque jogar com dez desde os 15 minutos e a perder 2-0 aos 84 é preciso muito coração. E seguir o lema, sim, o lema verde e branco: esforço, dedicação, devoção e glória.

Quanto ao jogo propriamente dito e começando pelas bancadas cheias, com muitos adeptos do Braga, é certo mas com uma maioria do Sporting, com o topo norte e toda a bancada central, praticamente  2/3 do Estádio do Jamor estão certamente pintados a verde e branco.

Onze iniciais sem surpresas de maior, apenas de notar a aposta em Cédric no Sporting e de Baiano no Braga, ficando no banco Miguel Lopes de Pedro Tiba respectivamente. Danilo no Campeonato do Mundo sub-21 pode considerar-se a única baixa de relevo nesta final.

O jogo começou com o Sporting a tentar apertar. Aos 5 falta violenta de Pardo sobre Nani. Logo a seguir jogada perigosa, mas nada comparada com o remate de Nani no minuto seguinte a passar muito perto da baliza. O Sporting carregava e o Braga faltoso marcava a sua atitude agressiva no jogo. Atitude que surtiria frutos mais tarde, como se sabe. Aos 7 primeiro canto para o Braga, fácil para a defesa do Sporting que logo lançou um rápido contra-ataque mas Carrillo foi perdulário adiantando demasiado a bola. O jogo estava dividido e  picadinho, com muito nervo à mistura. Como já se esperava o Braga ia valia-se pelas transições rápidas e assim mesmo,  depois de uma das habituais faltas de agressividade do meio campo leonino, Adrien não corta, o Braga prossegue e Cédric erra e faz falta, penalti e vermelho directo para Cédric. Sem nada ter feito de relevo, e com o Sporting apenas a poder queixar-se de si próprio, o Braga pôs-se a ganhar aos 15 e com menos um jogador, resultado que aliado à superioridade numérica e ao tipo de jogo preferencial dos comandados de Sérgio Conceição punha o Sporting em sentido e com hipóteses crescentemente diminutas. João Mário é o sacrificado para entrar Miguel Lopes. O jogo já de si faltoso aumenta ainda mais a carga nervosa. O árbitro comete um grande erro ao não ter o mesmo rigor que aplicou com a expulsão de Cédric – falta grave sobre Nani e Baiano tem de ver o segundo amarelo, sururu com um Marco Silva mais nervoso que o normal, o Sporting para jogar contra a equipa de arbitragem e/ou vice-versa. Entretanto outra transição rápida, Miguel Lopes é batido e o Braga faz o 2-0, o futebol é de quem marca. O Sporting sente o golo no imediato. O vento não explica a quantide de passes transviados e o futebol previsível… Slimani vai causando perigo mas é perdulário, enquanto vai insistindo e desgastando o último reduto dos guerreiros do minho. O Braga quando pode insiste tem em Pardo e sobretudo em Rafa um perigo à solta. Fase em que estão claramente mais tranquilos os bracarenses. A primeira parte acabou com um ataque perigoso de Djavan – ironia ou piada de mau gosto para o Sporting – Patrício teve segurança em agarrar a bola.

A segunda parte começa dividida mas com o Braga mais letal e objectivo nos seus ataques. Nani é a unidade a mais no Sporting mas nem toda a equipa acomopanha o craque , Adrien muito longe do seu habitual, William autenticamente a gasóleo, muito em baixo. O Sporting ressente-se da falta de fulgor do seu meio-campo. Marco Silva mexe e faz entrar Mané por Carrillo, substituição contestada pelos adeptos quiçá pela sua falta de risco, porém Mané fez questão de dar razão ao seu treinador, melhorando com a sua presença, e muito, o jogo do Sporting. O mesmo Mané que causaria o maior perigo num lance parecido com o primeiro golo do Braga, com a diferença que este Mané caiu sozinho. Allan apronta-se para entrar e Eder provoca grande defesa de Patrício a evitar o golo certo. Nani faz grande jogada e Nani isola Slimani que não chega ao golo. É jogo dividido, taco a taco, com o Braga, pela sua maior confiança, a parecer mais querer fazer o terceiro golo que o Sporting empatar. Do mais a apatia leonina é crescente. Os adeptos assobiam. Nani, sempre Nani, o único inconformado remata para grande defesa de Kritciuk. Os adeptos começam a abandonar o Jamor. Montero entra por Miguel Lopes, Mané passa também a fazer de defesa direito – no que se revelaria mais uma feliz substituição de Marco Silva. Mais gente abandona o relvado. Agra entra pelo lesionado Pardo. Slimani quase marca e Kritciuk esteve mais uma vez à altura com uma defesa para golo. Os adeptos do Braga fazem a festa, que se torna crescente á medida que cada vez mais os adeptos abandonam o Jamor. Aos 81 terceira grande defesa do guardião bracarense. Pouco depois, finalmente Slimani marca. Alguns adeptos em fuga param, outros recuam. Seis minutos de desconto e nem foi o facto de não terem acertado um cruzamento que os sportinguistas não festejaram. Montero marca já nos três minutos de desconto e é apoteose da festa verde e branca, o Estádio do Jamor vem literalmente abaixo. Adeptos que abandonaram o Estádio voltam aos seus lugares. Prolongamento confirmado.  Nani controu grande oportunidade de fazer o golo com um grande remate em arco a rasar com o poste. Nani  a seguir faz mais outra grande jogada a que Slimani quase marca e dá canto. No seguimento do canto mais um típico contra-ataque do Braga. A sete minutos do fim, grande defesa de Patrício, um Sporting mais forte no prolongamento não pode evitar que o Braga continuasse a ser letal no contra-ataque mas o Sporting melhora e é a equipa mais forte no prolongamento, tem  outra atitude, outra raça. Prolongamento que jogado é aliás muito melhor aos 90 minutos de jogo, a que muito se deve a mudança de atitude de um Sporting moralizado pelo golo e de um Braga com uma certa quebra de força anímica, pois grande parte do segundo tempo, sobretudo no último quarto de hora, sentiu-se a festejar. De notar também a mudança de produtividade de William Carvalho, a grande entrada de Mané, a boa entrada de Montero, um Adrien Silva mais certeiro e inteligente. Até aos penáltis, onde o Sporting foi mais eficaz, frio e maduro e não deu a mínima hipótese aos bracarenses. Foi a primeira vez na história da Taça de Portugal que a vitória se discutiu na marca de grandes penalidades.Adrien, Nani e Slimani Marcaram. André Pinto, Eder e Salvador Agra falharam. Mas à vitória, incontestada, de uma equipa que jogou mais de 100 minutos com 10  – contra uma equipa que se sente sobretudo confortável com o tipo de jogo a que o jogo se impunha – deve-se dizer que foi uma vitória da fé, da fé e da crença, e do acreditar atá ao fim que a reviravolta é possível.