E mais uma vez faltou o quase, para marcar, para sofrer…

Falta de experiência e/ou “mais qualquer coisinha”, como referiu o treinador Jorge Jesus. A verdade é que o Sporting jogou e tentou e soube jogar taco a taco com a melhor equipa do mundo, superiorizando-se em vários pontos da partida. O problema foi (é) quando se superioriza(va) frente a adversários deste quilate nunca ou muito raramente soube materiolizá-lo em golos. Saber ter o sangue frio para o killer instinct, o tão necessário implacável matador, tão necessário quando as oportunidades são poucas, até porque nunca se sabe se é a última, quando por norma o adversário as marca, ou marca muito mais, e assim controla, controla muito mais. 

O Real Madrid, na verdade, acabou a vencer a jogar contra dez. Já tinha feito o golo por Varane no seguimento de um lance de bola parada em plena primeira parte (29 minutos). O Sporting, no entanto, com Bruno César quase a marcar duas vezes, com situações onde só faltou uma pontinha no último drible e outras em que os nervos tolheram a melhor decisão quando havia espaço. A verdade é que a assumida estratégia de Jesus para a segunda parte estava escrita explorar a debilidade física adversária, mercê do jogo de sábado no Estádio Vicente Calderón contra o Atlético de Madrid, e como se sabe, ganhar aos comandados de Simeone, mesmo com três golos de diferença, requer os limites físicos de um jogo bem rasgadinho, sob pena das coisas poderem correr da pior maneira, no que exemplos para grandes equipas não faltam. Portanto, estratégia montada e provada na quantidade de lesões do adversário, a começar por Marcelo, o Sporting viu tudo ir por água baixo com a expulsão de João Pereira, mesmo que tenha sido mal expulso, não se podem nem devem neste caso ser inculcadas as culpas ao árbitro, tal a sabedoria fingidora de Kovacic…
Uma borrada de Fábio Coentrão, porém, resultou em penalti e à mão má metida do jogador de Vila do Conde, soube Adrién corresponder com o pé, convertendo o penalti com autoridade. Pondo o Sporting em boa posição para conseguir pelo menos o empate, o que o colocaria praticamente na Liga Europa. A verdade é que durou o que durou, até aos 87 minutos, quando cruzamento de Ramos e a cabeçada fulminante de Benzema deitaram tudo a perder. 
Destaque para as grandes exibições de Coates, Adrien, Rúben Semedo, boas exibições de William e Bruno César. Bryan Ruiz esteve desastroso, as laterais mais uma vez inofensivas e sem nível de clube grande. No ataque Bas Dost e Campbell foram inexistentes. No Real Madrid Ronaldo esteve aapagado, assim como Bale, Lucas Vasquez e Sérgio Ramos foram os jogadores mais em destaque. 
O Sporting agora precisa pelo menos empatar na Polónia contra o Légia para poder passar a jogar a Liga Europa, onde tem ambições. O Légia todavia já fez sete golos, quatro ao Dortmund e três ao Real Madrid. Provavelmente os leões terão mesmo de fazer golos em Varsóvia.
 
 
PEDRO NOGUEIRA