Tanta pressão – sobretudo tanto esforço físico para jogar o jogo todo em alta pressão (alta) -, tanta intensidade, tanta habilidade, tanta capacidade de passe em jogadas combinadas, tanto esforço, tanto rigor e concentração, tanta dinâmica ofensiva, tanta capacidade de construir jogo – face a uma tão difícil equipa – e várias oportunidades, algumas flagrantes, de golo.
Mas ao mesmo tempo tanta, mas tanta tão flagrante falta de discernimento, de frieza no momento de marcar, de fazer o mais fácil depois de se ter feito o mais difícil, tanta falta de killer instinct de uma equipa com tanto trabalho á vista do treinador e jogadores, e tanta falta daquela arrogância, passe o termo, necessária para dizer quando é para dizer que “aqui mandamos nós”, falta de algum desaforo mesmo, para poder mandar às malvas os “Destinos” e os orçamentos, a presumível inexperiência, de acabar de uma vez por todas com as vitórias morais e com os empates consentidos – onde aquele último minuto do jogo em Alvalade contra o Benfica é a outra face da mesma moeda.
Exemplos: primeiro, o remate enrolado de Nani ao lado da baliza por volta dos quinze minutos; depois Tanaka na sua primeira oportunidade com um remate ao lado – ele que esteve muito melhor em movimentos e desmarcações que na finalização, onde falhou na hora da verdade -; depois William, de fora da área provoca a primeira excepcional defesa de Diego Benaglio, ao que no seguimento do canto, Trasch salva o golo certo de Tobias na linha de baliza; o Sporting continuava a carregar e outro falhanço de Tanaka para defesa de Benaglio, recarga de Adrien, falha, recarga de João Mário, falha. Continua a saga, outro falhanço, flagrante de Tanaka, chuta à baliza mas mais acerta no guarda-redes para a bola bater a seguir no poste…
Na segunda parte, De Bruyne ainda assustou com um remate ao poste numa rápida transição ofensiva. Foi como que um acidente isolado, que podia logo ali ter ditado a sorte da eliminatória, como que a dizer que estes alemães não brincam em serviço e quando têm de marcar, marcam mesmo. Acidente isolado também porque o Sporting continuava a carregar em força e intensidade de jogo. Então outra falha, agora de Nani, Benaglio defende; depois Carrillo que demorou demorou até perder o discernimento necessário para o remate; depois, como não podia deixar de ser, Tanaka, que falha duas vezes seguidas, primeiro no remate que Benaglio defende, depois no atrapalhar-se dessa bola que lhe sobrou e podia ter dado direcção para dentro da baliza, mas afinal deu corte para canto da defesa alemã. Depois, mais outro remate forte de Nani para defesa de Benaglio. Cabeceamento de Slimani, Benaglio defende à figura.
Benaglio, sempre Benaglio. Benaglio era o nome que mais se ouviu nas vozes das transmissões da rádio e televisão. Benaglio também foi o nome que mais esteve na mente tanto dos sportinguistas (para mal dos seus pecados), dos adeptos do Wolfsburg (para sorte dos seus alívios) e para todos aqueles que puderam presenciar este muito bom jogo de futebol, de nível altíssimo. Diego Benaglio foi claramente o melhor em campo e quiçá (talvez a meias com Bas Dost) o jogador mais decisivo da eliminatória.
No Sporting, grande jogo dos dois defesas centrais, Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo (cada vez mais está-se a tornar um grande central, de classe e dimensão internacional), João Mário muito bem e em grande forma, assim como William, Adrien Silva também esteve bem, Tanaka podia ter sido herói, mas não foi, Carrillo e Nani, a quem tanto se pedia, não estiveram ao nível desejado, mesmo que o português tenha estado uns furos acima do peruano. Montero entrou bem na partida, Slimani não se podia pedir mais, tal como não se podia pedir muito mais a Jonathan Silva, que acusou falta de ritmo, mostrando-se bem melhor na segunda parte. Cédric e Mané estiveram apenas regulares, Rui Patrício praticamente não teve trabalho, o que diz muito do desequilíbrio de um jogo em que uma grande equipa como o Wolsburgo chegou a denotar nervosismo tal a intensidade de caudal ofensivo leonino, mas quem não marca…


