Um líder Benfica com a surpresa de André Almeida no meio-campo, numa constituição de equipa mais conservadora que o normal, e um Sporting com a sua constituição de equipa habitual – fora a ausência de Slimani – a partir para o jogo a atacar (mais) a vitória que o adversário – seria assim durante o jogo todo: um Sporting no meio campo adversário e um jogo sobretudo a meio campo, com muita luta, intensidade e não muito bem jogado.
Quase 50 mil pessoas a quase encher Alvalade foram o melh0r de um jogo que deixou muito a desejar. Mais para o Benfica que para o Sporting, apesar de tudo, o Benfica nunca tentou ganhar um jogo que o Sporting quis e tentou mas não soube aproveitar em oportunidades de golo.
O jogo até começou dividido com um ligeiro ascendente do Benfica sobre um Sporting que sentia uma grande dificuldade em entrar na zona de perigo. O posicionamento e a surpresa táctica preparada por Jorge Jesus conseguiu o Sporting desemaranhar-se perto do meio da primeira parte, começando a controlar não só as movimentações encarnadas, como conseguindo lançar transições rápidas que, apesar de inconsequentes, conseguiram deixar algum desassossego na equipa encarnada, que preferindo não facilitar, consentia pontapés de canto atrás de pontapés de canto. O Sporting porém não soube aproveitar, saltando à vista a falta que fazia ali um verdadeiro homem de área como Islam Slimani, mesmo que a equipa se comportasse como se estivesse em campo o mesmo Islam Slimani. Montero foi completamente anulado pelos centrais encarnados, acabando por rematar a única vez completamente ao lado, de fora da área, queixando-se que não havia ninguém desmarcado. Pudera, o mesmo aconteceu com Jonas, vinha atrás lançar desmarcações estando também as principais pedras do Benfica anuladas, sobretudo Sálvio, mas também Lima, para não falar de Ola John.
Na segunda parte o Sporting entrou mais forte e foi sempre superior, teve mais bola, mais jogo, criou mais oportunidades e aí sim, foi verdadeiramente a equipa que quis ganhar o jogo. O que não soube ser aproveitado pelos leões, tirando a grande defesa de Artur a remate de Carrillo, o Sporting não criou, tirando o golo mais nenhuma oportunidade flagrante de golo, mesmo que tenha criado mais oportunidades, inofensivas, em vários momentos em que o Benfica não conseguia ter bola.
O jogo esse, dividido e mal jogado, tinha a surpresa de um certo anti-jogo por parte dos encarnados: muitas faltas, jogadores no chão por lesões que não se confirmaram, faltas cirúrgicas a ataques que poderiam ser perigosos .E se escrevemos poderia é porque na hora da verdade, na hora da concretização, ou mesmo na hora de criar verdadeiro perigo, todo o desenvolvimento ofensivo o Sporting deixou muito a desejar. O Sporting passou mais tempo instalado no meio-campo do Benfica sem que tal ascendente se materializasse senão em golos, pelo menos em reais oportunidades de golo.
Até que aos 87 minutos tudo muda com o golo de Jefferson, João Mário isolou-se e permitiu a defesa de Artur. Na recarga, Jefferson fez o golo. O jogo parecia decidido quando aos leões bastava gerirem o resultado. Nada mais errado. O Sporting não soube segurar o jogo sequer a meio campo (onde antes tinha segurado durante toda a segunda parte) e fez valer (ao adversário) a sua inexperiência. O Benfica tem lucidez, discernimento, e por incrível que pareça, tempo e tem espaço para ameaçar como quis área do Sporting e no último lance do jogo, numa confusão na área leonina, Jardel aproveitou uma bola perdida, para não dizer uma assistência da defesa do Sporting, para fazer golo no único remate benfiquista na partida. Estava vingado o sabor amargo do jogo da primeira volta, em que aí sim, o Benfica foi muito superior. Agora foi o Sporting a sentir o sabor amargo. O Benfica, porém, acabou por festejar o empate com uma vitória. Num jogo fraco – muito fraco para um derby com este peso – num jogo em que o Sporting foi em tudo superior e em que o Benfica fez um remate e um golo.


